quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Relações coisa de moda??!!
No outro dia estava num barzinho, que muito gosto de ir, e surgiu esta conversa.. (todos sabem que gosto de debater ideias) relações. Mas o tema era essencialmente aquelas relações que nao lhes chamo de passageiras, mas volateis, fantasmas, sem rasto..
Ao que parece tambem as relaçoes entram em moda, outras caem em desuso..outras simplesmente entram em vias de extinçao.
O "normal", coloco entre aspas, pois sei que o conceito de normalidade é muito relativo, agora è que as pessoas nao se liguem emocionalmente as outras? Que o compromisso nao faça parte de uma relaçao? Que o normal seja "aproveitar" enquanto da...porque depois.... fartamo-nos.
Nao quero com isto dizer que assim que entramos numa relaçao esta tenha que durar para o resto da vida, ou que as coisas funcionem sempre nos mesmos moldes. Nao é isso..so estou a constatar uma tendencia, que parece que se tornou um estilo de vida saudavel...
Nao só nas camadas mais jovens, mas tambem nas mais maduras.
Como nao me incluo nestes "moldes" sinto-me cada vez mais excluida...pertencendo a uma minoria, mas que nao aceita abdicar de principios e valores, que para mim nunca deveriam passar de moda.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Entre o Sono e Sonho
Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre —
Esse rio sem fim.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
ASSIM ASSIM
Vi ontem, depois de ter ouvido alguns comentários resolvi ver...
O filme "Assim Assim", de Sérgio Graciano, que inicialmente apenas era uma curta-metragem e que deveria ter ficado na curta-metragem ...
Um filme sobre relações,que acenta em 3 vetores principais: sexo, traição e violência fisica, os dialogos esses, são longos, monotonos e banais.
Acredito que uma relação não tem que ser assim assim...
Um filme que não gostei especialmente, mas que se deixa ver...
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Amour
Sempre gostei de filmes cujo o argumento me fizesse pensar, questionar, Haneke é ,incontornavelmente, um dos meus realizadores de eleição, é para mim impossível ficar indiferente aos seus filmes.
Amour sem a violência de La pianiste
(2001), outro marco incontornável, interrompe ,ainda assim, a nossa experiência para a atormentar. Isto porque é impossível ficar indiferente ás interpelações que minam de rompante o nosso quotidiano. “ até que ponto somos capazes de amar alguém?” até que ponto conseguimos lidar com o sofrimento de quem amamos?” até que ponto somos capazes de aguentar a dor?” “até que ponto somos capazes de deixar ir, libertar, quem amamos?” são apenas algumas das inquietações levantadas nesta obra de simultânea beleza e crueldade, que é a efemeridade da vida.
Amour , expõe o amor e o seu verdadeiro significado – o seu verdadeiro propósito, quando despido de todos os artifícios. Este filme poderia facilmente ser um produto melodramático de faca e alguidar, capaz de arrancar lágrimas fáceis e sentimentos automáticos de compaixão. Ao contrário, Haneke no seu estilo, que muito aprecio, preferiu deixar de lado qualquer romantismo idealista e centrar-se na questão do sofrimento humano inevitável perante a circunstância da doença, da incapacidade física, da incomunicabilidade e da ruina psicológica iminente. E fá-lo de uma forma impressionantemente detalhada e realista. E apesar do desfecho esmagador, fica-nos na memória uma mensagem de esperança: de facto, nada pode o amor perante a morte; no entanto, ele é porventura o único despojo que lhe pode sobreviver.
Dificil escolher uma cena…o meu filme favorito visto em 2012..e foi talvez o ano em que vi mais filmes.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Ter opiniões definidas e certas, instintos, paixões e carácter fixo e conhecido - tudo isto monta ao horror de tornar a nossa alma um facto, de a materializar e tornar exterior. Viver num doce e fluido estado de desconhecimento das coisas e de si próprio é o único modo de vida que a um sábio convém e aquece.
Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'
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