terça-feira, 15 de junho de 2010

A Single Man


Filme de Tom Ford, Baseado no livro de Christopher Isherwood com as excelentes interpretações de Colin Firth (prêmio de Melhor Actor no Festival de Veneza e no BAFTA, além da indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro) e Julianne Moore, destaco também a fotografia de Eduard Grau.

Quando começamos a ver este filme sentimos “entrar” na angústia do personagem, um professor universitário sozinho e sem um sentido para a vida.

Uma estória de idas e vindas, relacionamentos e solidão, existência e dor numa espécie de dança da vida, acompanhada pela banda sonora de Abel Korzeniowski, que incute força e impacto às cenas.

É uma estória humana e mostra que humanidade e afectos, assim como angústias e perdas, são das coisas incontidas, que independem da orientação sexual.






… na vida há coisas que não se programam, elas simplesmente acontecem!

Excelente estreia do estilista Tom Ford, um filme que vale muito ver, para quem ainda não viu RECOMENDO!

domingo, 13 de junho de 2010

Estômago


Um filme de 2007 que SÓ estreou em Portugal no dia 13 de Maio de 2010!!!!
Estas estreias tardias dos filmes em Portugal têm sido cada vez mais frequentes e já não é explicação o facto de o filme não ser muito comercial, isto porque nos filmes ditos "comerciais" o mesmo está a acontecer...
Mas agora vou falar-vos deste filme que muito me empolgou.
Filme de Marcos Jorge sem os actores de renome mas com actores novos que nos sabem contar esta estória e a tornam empolgante.

O Poder é um tema fascinante nas relações humanas. Aparentemente, Estômago é um filme sobre a estória de um cozinheiro do interior do Brasil que vai para a cidade grande, mas na verdade é um filme sobre como se obter O PODER através da comida.A comida aqui é usada como metáfora de diversas outras coisas…

Drama, poder, humor, ironia, o politicamente incorrecto, a luxúria, a inocência, maldade, violência …tudo isto podemos esperar deste filme!






Vale ver!

domingo, 6 de junho de 2010

El secreto de sus ojos

A não perder!!! um filme para ver e sentir!


El Secreto de Sus Ojos
de Juan José Campanella, o thriller argentino que conquistou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, no ano em que concorriam à estatueta "Um Profeta", de Jacques Audiard, e "O Laço Branco", de Michael Haneke, dois filmes que adorei ver, logo a expectativa para ver este era muito grande....e não fiquei decepcionada!


Ficam algumas imagens...



Um oficial de justiça, recém reformado decide escrever um romance sobre um caso ocorrido 25 anos antes mas que nunca deixou de o atormentar.
A estória é contada num suspense intenso de criar momentos inesperáveis….

Um filme sobre o amor, crime, a vingança e como pequenas resoluções podem alterar a sequência de uma vida inteira.

Recomendo!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Neste dia ESPECIAL...

...para mim, um pouco de poesia, de um poeta que sempre admirei!

Acaso

No acaso da rua o acaso da rapariga loira.
Mas não, não é aquela.

A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.
Perco-me subitamente da visão imediata,
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua,
E a outra rapariga passa.

Que grande vantagem o recordar intransigentemente!
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga,
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.

Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!

Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos...
Mas isto era a respeito de uma rapariga,
De uma rapariga loira,
Mas qual delas?
Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade,
Numa outra espécie de rua;
E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade
Numa outra espécie de rua;
Por que todas as recordações são a mesma recordação,
Tudo que foi é a mesma morte,
Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã?

Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional.
Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas?
Pode ser... A rapariga loira?
É a mesma afinal...
Tudo é o mesmo afinal ...

Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Un prophète


Um filme de Jacques Audiard (“De battre mon coeur s'est arrêté”) grande prémio do Júri no Festival de Cannes 2010, grande vencedor dos prémios César (“Óscares” do cinema francês), arrecadou no total 9 césar, entre eles o de melhor filme e de melhor actor (Tahar Rahim ), ganhou também o prémio BAFTA e o Globo de Cristal na categoria de Melhor Filme e ainda o Globo de Cristal na Categoria de Melhor Actor, esteve nomeado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro para os Globos de Ouro e para os Óscares de 2010.

Um filme que nos conta a estória de um jovem árabe analfabeto, frágil e inexperiente, condenado a seis anos de prisão.
Uma obra realista, crua e arrebatadora, que nos mostra a vida de um homem que aprende a sobreviver na prisão, um filme de prisão, máfia, mas acima de tudo de aprendizagem e sobrevivência.

Destaco a interpretação “Tahar Rahim” é mesmo muito boa, é muito interessante ver as alterações da personagem e a sua evolução ao longo do filme. Há uma cena que determina toda a mudança ,e o actor soube transmitir essa mudança com o olhar, na vida do personagem e nós que estamos a ver sentimos essas alterações.




Vale ver!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Fish Tank


Tive a oportunidade de ir ver este filme ao Fantasporto e ADOREI!

Um filme de Andrea Arnold com Katie Jarvis (actriz revelação, o filme “vive” do seu brutal desempenho) e Michael Fassbender (Hunger), Foi prémio especial do júri em Cannes 2009, nos BAFTA vence o prémio de Melhor Filme Britânico no Fantasporto 2010 ganha o prémio de Melhor Filme na Semana dos Realizadores.

A vida urbana que nos é mostrada com um realismo desarmante é claustrofóbica. É um aquário no sentido figurativo.
Um filme que nos retrata um pouco da cultura underground inglesa, com alguma handycam à mistura que de forma tão exímia converge imagens características de um bairro social ou de uma paisagem mais suburbana e rural. E essa estética deixa-nos desconfortáveis durante todo o filme. Porque a dureza das imagens e das situações é tamanha, mas tão real.

Observamos influências de Gus Van Sant e Mike Leigh (dos primeiros anos) tais como, a imagem no ecrã ser quadrada, (para nos contar a estória da jovem, BEM PERTO DELA e para nos dar a ideia da claustrofobia) e em algumas cenas surge uma câmara lenta que faz lembrar Paranoid Park .Lembramo-nos também de Mike Leigh, nos primeiros filmes, o mesmo desejo de observar, de uma forma evasiva, uma certa realidade de uma classe social trabalhadora inglesa, através de um retrato muito realista de relações humanas e em, principalmente no seio da família, como elas podem ser cruéis e/ou completamente disfuncionais.

Um drama escuro sem promessas nem esperança, que oscila em momentos dramaticamente divertidos, com cenas mais introspectivas e em que a ironia é uma constante assim como a crítica social.






vale ver!

domingo, 7 de março de 2010

Shutter Island


Um filme de Martin Scorsese baseado no romance de Dennis Lehane com Leonardo DiCaprio, Ben Kingsley entre outros.

A estória passa-se em 1954,dois agentes federais investigam o desaparecimento de uma paciente do Hospital Psiquiátrico Ashecliffe na ilha de Shutter.

Numa "teoria da conspiração" onde já nada é o que parece, à medida que um dos agentes se vê obrigado a confrontar a terrível verdade: a sua visita ao instituto psiquiátrico de Ashecliffe, alegadamente para investigar o desaparecimento inexplicável de uma paciente, pode não passar de uma enorme mistificação com intuitos sinistros. E não se pode confiar em ninguém, mas mesmo em ninguém (e volto a sublinhar: em ninguém).

A dramaticidade e a escuridão das cenas dão um toque de terror e suspense que nos fazem ficar imóveis na cadeira :). A natureza tem neste filme um papel muito importante, que faz com que os acontecimentos se tornem mais tristes e profundos do que eles aparentam ser. A força do mar, do vento e da chuva são características importantíssimas de se observar, pois elas dão o toque essencial para a tenebrosidade dos factos.
….E no final quando identificamos a solução do mistério - e quando damos por nós a perguntar se o mistério ficou realmente resolvido, percebemos que se calhar NÃO!

Um bom filme para ver ,sem sombra de dúvida no cinema, mais que uma vez !e deliciar-se com aqueles pormenores da realização de Scorsese.


Um filme que em nada tem a ver com “Taxi Driver “ ou “Raging Bull “ os mais parecidos talvez, na sua longa carreira de realizador, sejam “Cape Fear “ e “Bringing Out the Dead “ no entanto é também um filme muito bom e MANTÉM a mensagem, no meu ponto de vista, que o realizador procura transmitir em todos os seus filmes, A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA.
Se nos lembrarmos da personagem interpretada por Robert De Niro em Taxi Driver, um ex-veterano de guerra em luta contra sua própria mente, em Shutter Island a personagem interpretada por DiCaprio, passa muito tempo em busca de uma resposta que todos já sabem, mas que ele se recusa a ver.